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Grandes empresas são estimuladas a reduzir o uso da água
(06/03/2009)

Por Timothy Gardner*

Investidores institucionais estão instigando as empresas a medir, revelar e reduzir o uso de água para diminuir os riscos financeiros a longo prazo, já que a oferta está se tornando escassa com o uso excessivo e existe a possibilidade das altas temperaturas derreterem as geleiras.

“As companhias precisam analisar o risco hídrico e achar maneiras de conservar a água e minimizar a possibilidade de literalmente ter que fechar as empresas”, comentou em uma entrevista a presidente do Ceres, uma coalizão de investidores sediada em Boston, Mindy Lubber.

O Ceres dirige a Rede de Investidores sobre Riscos Climáticos, um grupo de cerca de 80 investidores norte-americanos e europeus, como fundos de aposentadoria, que gerencia mais de US$ 7 trilhões.

Com a queda das ações das empresas devido à crise econômica, poucos estão recomeçando a analisar o panorama completo de riscos para ganhar novamente a confiança dos investidores.

Os efluentes hídricos têm sido uma constante preocupação desde a seca de 2007 no Sudeste dos Estados Unidos e com a atual crise de água na Califórnia e as possibilidades de aumento das temperaturas, que poderão eliminar as geleiras das montanhas na China, Índia e outros países, levando a redução do fluxo de água nos rios durante o verão.

“De onde virá a água se não for das geleiras?”, questionou o especialista do Instituto do Pacífico e principal autor do relatório apoiado pelo Ceres “Escassez de água e Mudanças Climáticas”, Jason Morrison.

“Os especialistas climáticos entendem que a água será um dos recursos mais significativamente afetado como resultado das mudanças climáticas, mas a maior parte do setor privado não gostou disso”, disse ele.

Os investidores querem que as empresas contabilizem não apenas o uso direto de água, como aquele utilizado na fabricação de produtos e em toda a cadeia de fornecimento.

Pegada hídrica

Algumas empresas já estão explorando a sua cadeia de fornecimento para medir as pegadas hídricas, assim como muitas fizeram anteriormente para avaliar a pegada de carbono.

No final do ano passado, empresas como PepsiCo, Coca-Cola Co, SABMiller Plc e Unilever fizeram parcerias com grupos ambientalistas e governamentais para formar a Rede da Pegada Hídrica, que ajuda as empresas a medir o consumo de água.

A rede estima, por exemplo, que a produção de um quilo de carne necessita em média 16 mil litros para a irrigação dos campos e outros aspectos. Uma xícara de café consome cerca de 140 litros de água.

Grande parte da água é devolvida através dos ciclos naturais, mas com o uso na agricultura, empresas e residências, os aqüíferos estão sendo drenados mais rapidamente do que a capacidade de recarga.

As empresas enfrentam riscos não apenas pela perda imediata do fornecimento de água, mas também pelas regras que tendem a ficar mais rígidas, explicou Morrison. Os setores sob maiores riscos são agricultura, componentes de tecnologia de ponta, como os semicondutores, e bebidas.

Em 2004, uma usina da Coca-Cola foi forçada a fechar as portas na Índia após denuncias de que a empresa estava acabando com os estoques de água. Morrison acredita que os fechamentos em potencial podem acabar com a reputação das empresas.

As companhias que têm poluído os estoques de água em países em desenvolvimento como a China podem sofrer com o aumento de custos proveniente da adoção de leis ambientais mais rígidas.

Para ter certeza, o volume absoluto de água que uma empresa usa não é sempre um bom indicador do seu impacto sobre a oferta. A água utilizada em uma região seca é diferente da que é usada em uma úmida. Por esta razão a Rede da Pegada Hídrica também está começando a medir os impactos do alto consumo nas regiões com maior stress hídrico.

O diretor da rede, Derk Kuiper, disse que o grupo deve apresentar resultados sobre esta questão até o final do ano.

Uma vez que as empresas tenham medido e compreendido o seu consumo de água, elas podem começar a reduzir o uso ou investir em compensações como projetos de irrigação eficiente.

Ainda, não são muitos os que estão participando. “O predomínio é de empresas que não estão considerando os riscos", afirmou Kuiper.

* Fonte: Reuters. Traduzido por Fernanda B Müller, CarbonoBrasil.


(Envolverde/CarbonoBrasil)

 

( http://envolverde.ig.com.br/?edt=10&PHPSESSID=84e045d9452dbbee1e012994544af849# )

 

  As imagens foram cedidas por Miguel von Behr