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COMUNIDADES COSTEIRAS, ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL E CRISE FINANCEIRA PARALISAM EXPANSÃO DE TURISMO IMOBILIÁRIO NA AMÉRICA LATINA E CARIBE
(17/03/2009)

Por admin

Berlin, sexta-feira, 13 de março de 2009

A cerimônia de premiação da ONG alemã Studienkreis für Tourismus und Entwicklung www.todo-contest.org hoje na Feira Internacional de Turismo ITB em Berlim mostra que existem alternativas para o desenvolvimento do turismo especulativo e destrutivo. As comunidades no Peru, Suíça e Brasil são idealizadas e geridas por pessoas como você e eu. O objetivo é gerar renda, empregos, lucro, reduzir a pobreza e conservar os recursos naturais e o meio ambiente. O prêmio é concedido todos os anos desde 1995, para 2 ou 3 comunidades ao redor do mundo com projetos turísticos socialmente e ambientalmente responsáveis. O turismo comunitário, como também é chamado, está em ascensão nos países em desenvolvimento ao redor do globo, bem ao tempo das mudanças climáticas, que exigirão algumas mudanças no comportamento dos consumidores do turismo. Mais sobre os vencedores da REDE TUCUM, Ceará, Brasil; o MOUNTAIN Lodges (Alojamentos da Montanha) do PERU, Cuzco e a BIOSFERA DA UNESCO ENTLEBUCH, Suíça, no site da ONG www.todo-contest.org .

As comunidades que compõem a rede TUCUM de turismo comunitário do Ceará www.tucum.org têm outro motivo para desenvolver o turismo. Defender o direito ao seu território e agir para que o litoral do Ceará não seja transformada em um projeto imobiliário que irá destruir a paisagem, expulsando as comunidades de pescadores de suas praias para beneficiar especuladores do Brasil e do exterior.

A primeira onda de mega-projetos turísticos devastou praias virgens no México e no Caribe na década de 70, um grande exemplo sendo o projeto promovido pelo Banco Mundial em Cancun, México. Este empreendimento na costa caribenha do México tornou-se o assustador exemplo contra o desenvolvimento do turismo de massa, entre outras impactos negativos Cancun tornou-se um centro do tráfico controlado pelo cartel mexicano da droga.

Mas o BID - Banco Interamericano do Desenvolvimento - não aprendeu muito com essa experiência, quando ajudou o governo brasileiro a conceber um projeto denominado Prodetur para levar o turismo até 11 estados litorâneos, no nordeste do país. Não houve absolutamente nenhuma participação das comunidades, sociedade civil e organizações populares. Graças a Deus as comunidades no Brasil estavam mais bem preparadas e organizadas para enfrentar o desafio.

Com a ajuda de ONGs, fóruns costeiros e procuradores federais elas têm defendido o seu território. Como especialistas em turismo mostraram durante o Fórum Social Mundial em Belém 2009, apenas no Nordeste do Brasil existem 33 mega resorts sendo projetados com investimentos de mais de 10 bilhões de dólares. A maioria destes resorts contem projetos de Hotéis para poderem ser beneficiados com apoio do governo para infra-estrutura, subsídios e incentivos fiscais, mas a principal atração para os investidores são os projetos imobiliários, que trazem ganhos no momento da venda e fornecem dinheiro rápido para investimentos de capital num momento em que os grandes investidores sumiram do mapa por causa da crise financeira global.

Um desses "maravilhosos" projetos do grupo espanhol Sanchez pode ser apreciado na internet - http://www.grandnatalgolf.com. Caso venha a ser construído - licenças ambientais têm sido contestadas por procuradores federais – seriam construídas 40.000 unidades habitacionais no que é hoje um terreno de dunas móveis perto da capital do Rio Grande do Norte, Natal. Os apartamentos, vivendas e moradias de luxo já estão à venda no mercado internacional, com o apoio promocional de gente como o fenômeno Ronaldo, Rubens Barichello e os atores Antônio Bandeira e Melanie Griffith.

Já que empresas imobiliárias espanholas encontram dificuldades para continuar a  destruir a costa da Espanha, devido às cada vez mais rigorosas exigências ambientais do governo espanhol, elas estão à procura de novos horizontes, redescobrindo as Américas. Dado que a maioria dos grupos imobiliários espanhóis estão com dificuldade financeiras devido a crise do setor imobiliário na Espanha, eles estão interessados em compensar as perdas nessas praias. Mas comunidades no México, Nicarágua, Costa Rica, Jamaica e outros países do hemisfério estão se mobilizando contra a invasão. Existem projetos imobiliários igualmente ousados para o estado do Ceará, mas neste momento 8 de 8 projetos, ou foram bloqueados pelas comunidades de pescadores, povos indígenas e mobilização das ONGs ou foram contestados pelos procuradores federais ou pelo Ibama por razões ambientais.
Por exemplo, o empreendimento* http://www.gruponovaatlantida.com, que o grupo espanhol Afirma planeja construir na terra que também é reivindicada por grupos indígenas. Nem a visita do embaixador espanhol, que teve a audácia de declarar que os povos indígenas foram uma invenção de ONGs, ou o governador do Estado do Ceará foram capazes de convencer a índios e o ministério publico de desistir. Os promotores deste resort insistam que o investidor Juan Ripoll Mari não faz mais parte da Nova Atlântida. Este estava muito exposto devido a notícias publicadas na imprensa sobre investigação realizada pela polícia suíça com relação a ligações com a Máfia na Itália (lavagem de dinheiro) e da investigação das autoridades brasileiras (COAF)[1] das  operações financeiras no Brasil. Porém, Juan Ripoll nega sua saída do projeto (ver em seu site http://www.grupojr-iae.com) e está envolvido em um novo empreendimento no Delta do Parnaíba no estado do Piauí - www.ecocity-brasil.com.

O resort com o nome fantasia ECO RESORT-CITY ** está localizado numa APP (área proteção permanente federal), não longe das mundialmente famosas e altamente vulneráveis dunas dos "Lençóis Maranhenses". Existem vários consultores no grupo dos promotores do resort como o grupo espanhol www.iac-arquitectura.com , da empresa suíça SOARBAU AG, além do Juan Ripoll. De acordo com informações provenientes de fontes oficiais do governo federal (IBAMA) não foi emitida nenhuma  licença ambeintal para o empreendimento e mesmo assim já está no mercado internacional.

Hoje a rede de comunidades, TUCUM e a ONG brasileira Instituto Terramar estão compartilhando a expertise para derrotar projetos turísticos com comunidades ao redor do globo. Uma rede mundial em breve começará a distribuir alertas na internet e buscar aliados nas comunidades e organizações da sociedade civil na aldeia global.

A idéia da rede foi assunto principal da intervenção sobre turismo de grupos de turismo alternativo de países como Índia, Brasil, Nicarágua, Costa Rica, que participaram no Fórum Social Mundial 3009 em Belém e organizaram o painel “Outro Turismo é Possível”. Na Ásia, a ONG “Equations” da Índia e o grupo Investigação do Turismo & Equipe de Monitoramento (Tim-team) em Bangkok estão observando o cenário; no México o grupo SAVE está defendendo manguezais e locais de procriação de tartarugas na costa de Quintana Rôo contra a investida de grupos espanhois; na Espanha e na América Central um grupo da Universidade de Baleares, a ONG Albasud e o Greenpeace mantêm um olhar atento sobre a cadeia hoteleira espanhola e as empresas imobiliárias. De natureza mais global, há ainda: MAP - Mangrove Action Project e a RedManglar (Rede Mangue Mar no Brasil) que mobilizam os grupos de proteção do manguezal e organizações contra a criação irresponsável de camarão e salmão;  O CIAPA - Coletivo em apoio a trabalhadores da pesca www.icsf.net e o WFFP - Fórum Mundial dos Povos de Pescadores irá mobilizar populações de comunidades.
Uma variedade de grupos indígenas como os Tremembé, Tapeba e Jenipapo Kanindé no Brasil, os Garifunas em Honduras e centenas de etnias no México, Bolívia, Peru e
Ecuador estão aplicando os direitos recém-adquiridos com a Declaração Universal dos Direitos Indígenas da ONU aprovado em 2008, e a rede mundial de ONGs para o turismo responsável estará difundindo a notícia para o Trade turístico e os consumidores nos países desenvolvidos.

Como o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman salientou em sua coluna no NY Times em 3 de março "Vingança da Fartura": "A poupança é maior do que nunca desde que repentinamente consumidores empobrecidos redescobriram as virtudes de economizar e o boom imobiliária, que forneceu a saída para todo aquele excesso de especulação, se transformou em uma falência mundial ". Até as propriedades super- luxuosas do empreendimento imobiliario “Ilhas Palmeiras” no arquipélago artificial em Dubai, avaliadas em mais de 3 milhões de dólares há apenas seis meses atrás, estão agora valendo menos de 1 milhão.

O fracasso dos resorts graças a crise financeiro e a resistência das comunidades costeiras, irá beneficiar os ecossistemas marinhos, a pesca e populações de tartarugas. É muito provável que a saúde dos ecossistemas costeiros melhore nos próximos anos e ajude a proteger o litoral contra o impacto do aquecimento global, furações e tsunamis protegendo mangues, dunas e recifes de corais da destruição. Há apenas algumas semanas atrás, o governo das Bahamas surpreendeu o mundo por reagir a uma campanha global e salvar um ambiente prístino de manguezais e recifes de corais dos tratores das imobiliários e promotor de  resorts e campo de golfe, no Bimini Bay Resort.

ONGs mundiais de turismo responsável irão todos se reunir na ITB de Berlim, em 13 março e se juntar a premiados e apoiadores para comemorar as boas notícias e mapear as suas estratégias.

Autor: René Schärer, comentários para turisolcom@yahoo.com.br  

Iniciativa de:
Fórum em Defesa da Zona Costeira do Ceará, Brasil
Instituto Terramar, Brasil
Rede TUCUM, Brasil
Amigos da Prainha do Canto Verde, Suíça

FBOMS – Fórum Brasileiro de ONG´s e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento  

 

 

  As imagens foram cedidas por Miguel von Behr