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PARA BRASILEIROS, DESVALORIZAÇÃO DO PROFESSOR É PRINCIPAL PROBLEMA DA EDUCAÇÃO
(17/03/2009)

Por admin

 

 

 

Menos de um em cada 10 brasileiros considera a baixa qualidade do ensino e o fato de os alunos não estarem aprendendo como entraves para Educação

Apenas 9% dos brasileiros consideram a baixa qualidade do ensino e o fato de os alunos não estarem aprendendo como os principais problemas da Educação no País. É o que revela a pesquisa sobre a Educação Básica Pública no Brasil, realizada pelo Ibope Inteligência para a CNI - Confederação Nacional da Indústria, em parceria com o movimento Todos Pela Educação.

De acordo com os dados, os baixos índices de aprendizagem são apontados como o sexto principal problema da Educação no país.

Para os entrevistados, o principal problema da Educação é termos professores desmotivados/mal pagos, que aparece em primeiro lugar, na opinião de 19% dos entrevistados. Logo em seguida está a falta de segurança/drogas nas escolas, que é apontado por 17%.

Para 15%, o maior problema é a falta de escolas; para 12% o número de professores é insuficiente; e 11% acreditam que os docentes estão desqualificados/despreparados. Outro ponto de destaque no levantamento é que nenhum dos entrevistados considera a falta de participação dos pais como principal problema da Educação.

Na avaliação do presidente executivo do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos, questões emergenciais como a violência, a falta de vagas ainda são mais perceptíveis, do que as estruturais, como o aprendizado. Segundo ele, essa percepção ainda é um reflexo da baixa escolaridade no Brasil, “acredito que essa demanda deve aumentar no futuro, sobretudo porque o grau de escolaridade está crescendo e, com isso, as futuras gerações serão mais críticas e sensíveis à questão da qualidade do ensino”.

A oficial de Educação do Unicef no Brasil, Maria de Salete Silva acredita que, apesar de a questão da aprendizagem aparecer em apenas sexto lugar, os cinco primeiros problemas apontados na pesquisa estão relacionados à qualidade da Educação, com exceção da violência. “Os resultados demonstram, sobretudo, que a sociedade está sensível à questão da desvalorização dos professores, de certa forma a população está olhando para o ator fundamental: o professor”, explica.

Questionados sobre a evolução da qualidade da Educação Básica, 60% dos entrevistados afirmam que ela está melhorando, 13% considera o ritmo da melhora acelerado e para 47% os avanços ocorrem lentamente. Ainda segundo a pesquisa, 41% da população classifica a Educação Básica pública como ótima ou boa. Na região Sudeste, a mais critica do País, esse percentual é de 32%, no Norte / Centro-Oeste 40%, no Nordeste 46% e no Sul a avaliação positiva chega a 54%.

No interior, a percepção sobre a Educação é mais positiva do que nas capitais e periferias. Quase 50% dos entrevistados do interior avaliam o ensino como ótimo ou bom, na periferia esse percentual cai para 31% e chega a 27% nas capitais. Quanto maior o município, mais a população é crítica em relação à qualidade do ensino.

Nas cidades de até 20 mil habitantes, 56% avaliam a Educação Básica como ótima ou boa; para aquelas cuja população está entre 20 mil e 100 mil o percentual cai para 44%; e naquelas com mais de 100 mil habitantes a avaliação positiva chega a 33%.

De acordo com Maria de Salete, essa diferença de avaliação talvez ocorra porque no meio urbano há uma melhor compreensão do que é considerado qualidade. “Isso pode estar relacionado ao fato de nas zonas urbanas haver um repertório maior de comparação, devido ao acesso à informações e à maior facilidade em dar continuidade aos estudos” afirma consultora do Unicef.

Os números indicam, também, que quanto menor a renda familiar do entrevistado, melhor é a avaliação dele sobre a Educação: 55% das pessoas com renda familiar de até um salário mínimo consideram a Educação ótima ou boa. Para aqueles com renda entre um e dois salários mínimos, esse percentual é de 46%; entre os de mais de dois e até cinco salários, 34%. Entre a população com renda familiar superior a dez salários, a satisfação cai para 17%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 05 e 08 de dezembro de 2008 e ouviu 2002 eleitores com 16 anos ou mais em 141 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Quase metade dos brasileiros não está satisfeita com sua escolaridade

A pesquisa também revela que quase a metade dos brasileiros, 45%, está insatisfeita com seu nível de escolaridade. O que pode indicar uma grande demanda potencial por mais oportunidades de Educação. Vale destacar que 56% das pessoas que concluíram até a 4ª série do Ensino Fundamental estão insatisfeitas com a sua escolarização e entre os que concluíram esta etapa de ensino o percentual é de 52%. Já entre aqueles que concluíram o Ensino Médio a insatisfação é de 41%.

Sobre a atuação no mercado de trabalho, 35% dos entrevistados afirmam estar insatisfeitos em relação à sua qualificação para atuação em sua área profissional. Para aquelas pessoas com escolaridade até a 4ª do Ensino Fundamental esse percentual chega a 40%.

Além disso, cerca de 1/3 dos brasileiros com escolaridade até a 4ª série do Ensino Fundamental não exclui a possibilidade de voltar a estudar nos próximos dois anos. Entre aqueles que concluíram o Ensino Fundamental esse percentual é de 55% e entre aqueles com Ensino Médio esse número é de 78%. E dentre os que excluem a possibilidade de estudar novamente, 29% aponta a falta de tempo como o principal argumento para não voltar às salas de aula e 12% acredita não ter recursos suficientes para voltar a estudar.

Para a diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima, “a pesquisa demonstra que quase a metade dos brasileiros tem consciência das limitações impostas por uma escolaridade insuficiente e há uma grande disposição para voltar a estudar”. Ela acredita que criar oportunidades efetivas para que isto aconteça é um desafio que deve ser assumido por toda a sociedade.
(Informações da Assessoria de Imprensa do Todos pela Educação)

 

 

 

 

  As imagens foram cedidas por Miguel von Behr