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PAÍSES COMEÇAM A DISCUTIR NOVO PACTO CLIMÁTICO
(31/03/2009)

Por admin

Autor: Fabiano Ávila   Maior interesse dos EUA no combate às mudanças climáticas marca o início das negociações na Alemanha para a construção de um tratado pós-Quioto, que será estabelecido em Copenhague em dezembro

Mais de 2500 delegados de 175 países, incluindo representantes de governos, indústrias, institutos de pesquisa e organizações ambientais estão reunidos em Bonn na Alemanha desde o dia 29 para a primeira de três reuniões que têm como objetivo traçar um esboço do tratado que substituirá o Protocolo de Quioto em 2012.

“Essa primeira reunião de nove dias é fundamental para trazer o mundo mais próximo de uma solução política para as mudanças climáticas. O tempo está passando e os países têm muito que fazer”, afirmou o Secretário Executivo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCC), Yvo de Boer.

As discussões devem se centralizar em medidas para a redução das emissões de gases do efeito estufa assim como melhorias nos esquemas de comércio de carbono e de preservação de florestas. Também se espera um maior comprometimento dos países industrializados com a causa climática.

“As nações mais ricas devem liderar o caminho, o mundo está esperando que haja um acordo com metas ambiciosas. Para isso devemos começar a traçar estratégias já agora em Bonn”, disse Harald Dovland, que preside um grupo de trabalho que lidera as negociações.

Segundo De Boer, os países em desenvolvimento só concordariam com um novo pacto se os industrializados fixassem alvos claros para a redução de emissões. “É preciso que os mais poluidores liderem. Essas nações ricas têm ainda que estar prontas para financiarem projetos e programas de ajuda aos pobres do mundo”, conta.

Especialistas esperam que o novo acordo climático estabeleça uma redução de 25% a 40% nas emissões no ano 2020, comparado com os dados de 1990. Já em 2050, o alvo é uma queda de 50% a 80%. Estes cortes seriam o necessário para manter o aumento da temperatura dentro do limite de 2°C.  

Primeiros passos

Pelos corredores nesses primeiros dias de reunião um assunto parecia dominar as discussões: a maior participação dos EUA. O país enviou um grande número de autoridades e está tomando parte da maioria dos grupos de trabalho.

No seu discurso de abertura, o conselheiro climático do governo Obama, Todd Stern, afirmou que os EUA estão prontos para a ação, mas destacou que outros países devem aderir também. “Os Estados Unidos foram os maiores emissores da história e por isso entendemos a nossa responsabilidade. Mas não depende apenas de nós a solução para o problema”, disse.

Stern ainda destacou a proposta do país de reduzir em 15% as emissões em 2020 e em 80% em 2050. Também sugeriu a criação de metas claras, o estabelecimento de estruturas para a ajuda financeira aos países pobres e uma nova política de eficiência de recursos.

Diante dessas propostas, alguns delegados elogiaram a postura pragmática dos EUA enquanto outros se mostraram desapontados pela pequena redução das emissões. Mas para a maioria, já foi um avanço a aceitação dos norte-americanos em reconhecer suas responsabilidades e tentar evitar uma reedição do “fracasso de Quioto”, quando o país assinou o documento, porém o senado em Washington nunca o ratificou.

De Boer elogiou a postura dos EUA até aqui e manifestou que será indispensável a participação do país nas negociações, que define como as mais importantes da história.

“Este ano é crucial para se deter o processo de mudanças climáticas. O mundo está perto de concluir um dos mais complexos acordos internacionais já feitos pela humanidade, e perto de concordar em um tratado que irá definir o próprio futuro de nossa espécie”, concluiu De Boer.

 

( http://www.carbonobrasil.com/#reportagens_carbonobrasil/noticia=721453 )

 

  As imagens foram cedidas por Miguel von Behr