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Comissão internacional deve banir pesca do atum azul no mês que vem
(04/11/2009)

Agência Costeira

Espécie está reduzida a só 15% do tamanho original, mostra estudo

Uma das espécies de peixes mais valorizadas comercialmente desaparecerá em poucos anos se sua pesca não for proibida agora. Trata-se do atum azul. A Comissão Internacional para a Conservação do Atum (ICCAT, na sigla em inglês) divulgou nesta quinta-feira uma estimativa de que a população atual do peixe representa apenas 15% da registrada em meados do século XX. A constatação deve servir para que a organização aprove restrições ao comércio do peixe.

No ano passado um comitê independente divulgou um relatório classificando como "uma desgraça" a gestão do ICCAT relacionada aos atuns azuis. O comitê atribuiu à culpa aos países-membros do órgão, acusados de resistirem aos alertas dos cientistas e de não combaterem a pesca ilegal em suas águas territoriais.

 

O documento recomendava, ainda, o encerramento provisório da pesca de atuns azuis no Mediterrâneo, um dos locais onde há maior desova da espécie - e, por isso, uma intensa atividade comercial.

O movimento seguinte veio duas semanas atrás, quando a ONU admitiu incluir, a pedido de Mônaco, o atum azul na lista das espécies ameaçadas de extinção. A proposta será analisada em uma assembleia no Qatar. Se for aprovada, a comercialização será totalmente banida.

Embora tenham angariado apoio dos EUA e de diversas nações europeias, as propostas da ONU e do comitê independente ainda não contam com o apoio de diversos países asiáticos, que estão entre os principais consumidores do atum azul. O governo japonês, por exemplo, considera que a regulamentação da pesca só deve ser tratada pelo ICCAT, e não pelas Nações Unidas.

- Só a suspensão da pesca e do comércio internacional pode salvar o que resta da população do atum - alerta Sergi Tudela, representante da organização não-governamental WWF em assuntos de pesca na região mediterrânea. - Precisamos proibir a exploração de recursos naturais tão frágeis, até conferirmos sinais claros de que a população da espécie passa por uma recuperação.

Em sua próxima reunião, que será realizada no mês que vem em Recife, os delegados do ICCAT vão decidir em que locais podem haver restrições à pesca.

(O Globo, 30/10) 

 

  As imagens foram cedidas por Miguel von Behr