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Desmatamento não favorece crescimento
(06/11/2008)

Por admin

Economista defende que a conservação do meio ambiente está ligada à inclusão social Giovana Girardi escreve para “O Estado de SP”: Não são apenas ambientalistas e cientistas que falam que conservação dá lucro. O economista Carlos Eduardo Young, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vem há anos fazendo uma série de cálculos que mostram que floresta em pé é melhor para a economia do país do que derrubada. Seu grupo de pesquisa mostrou, há alguns anos, que cidades do Sul e do Sudeste (com exceção de MG) com alto índice de destruição da mata atlântica apresentavam o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) inversamente proporcional. “Regiões que se sacrificaram em prol do crescimento da cana, por exemplo, na verdade continuaram estagnadas. Depois que passa a fase inicial de ganho, elas entram em declínio”, afirma Young. Ele lembra que só enriquecem os grandes proprietários rurais. “E as atividades estão tão mecanizadas que nem muito emprego elas geram. É um ganho concentrado e há pouco avanço social”, critica. O economista contabiliza também o prejuízo ambiental. Para colocar um boi na Amazônia é derrubado cerca de 1,5 hectare, considerando a baixa produtividade da região. Na queima dessa mata são emitidas 110 toneladas de carbono por hectare, segundo suas contas. “Com um boi, então, são emitidas 165 t de carbono. Um automóvel pequeno que circule 10 mil quilômetros por ano vai emitir 1 t.” Young defende que incluir o RED no mercado de carbono, investir em recuperação florestal e aumentar as práticas de pagamentos por serviços ambientais é que são medidas benéficas socialmente e economicamente. “O que as pessoas precisam entender é que um choque de ambientalismo é pró-crescimento do país. Fazer política de conservação é ao mesmo tempo fazer política de inclusão social, porque os pobres são os mais prejudicados com contaminações e serão mais prejudicados com a mudança do clima.” O setor financeiro aos poucos está se dando conta dessa vantagem econômica. O Bradesco, por exemplo, criou um título de capitalização voltado para investimentos na Fundação Amazonas Sustentável e viu a carteira ser vendida muito mais rapidamente que outros títulos. O Citibank e o Real criaram, respectivamente, um CDB e um fundo que revertem parte dos lucros para projetos de reflorestamento da mata atlântica. De acordo com a diretora executiva de sustentabilidade do Real, Maria Luiza Pinto, os clientes buscam cada vez mais serviços que tenham um “algo a mais”. “Vemos que eles procuram diferenciais na hora de investir e são preocupados com seus impactos na sociedade. Mais do que uma aplicação com bom retorno, os clientes que optam por um produto com estas características estão preocupados com aquilo que não só impactará nele próprio, mas também em toda a sociedade”, diz. Para Alexandre Prado, gerente de Economia de Conservação da Conservação Internacional (CI), esse interesse dos bancos é bom porque tira o caráter de doação aos programas. “Projetos de extrativismo, por exemplo, são interessantes, mas ainda muito dependentes de doação. E a primeira coisa que se corta em uma crise como a atual são as doações”, diz. “Quando o investimento é vinculado ao produto de um banco é diferente, porque ele também sai ganhando. Quanto mais vende, ganha o banco e o projeto.” Os lucros do CBD do Citibank vão para uma parceria com a CI. (O Estado de SP, 6/11)

 

  As imagens foram cedidas por Miguel von Behr