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Reunião em Roma definirá plano global de ação sobre manejo da água
(11/02/2009)

Por admin

Por Redação do Carbono Brasil

Delegados de mais de 60 países negociam desde quarta-feira (21/1) em Roma, na Itália, um plano de ação de manejo de água doce, em resposta às mudanças ambientais que ocorrem em todo o mundo.

A reunião faz parte dos preparativos para o 5° Fórum Mundial da Água, que será realizado em Istambul, Turquia, de 16 a 22 de março de 2009. O Fórum é o maior evento internacional relacionado à água. O encontro em Roma é o terceiro de uma série de reuniões de alto nível que antecedem a Conferência Ministerial sobre a Água, que faz parte da programação do Fórum.

“A água corre diversos tipos de riscos. Os seres humanos precisam dela para sobreviver e, no entanto, são, muitas vezes, seus piores inimigos”, diz o diretor-geral do Conselho Mundial da Água, Ger Bergkamp. “O aumento crescente da população e a expansão das cidades aumentam progressivamente a pressão sobre o fornecimento de água”, acrescenta Bergkamp.

O desenvolvimento industrial requer mais água e, na medida em que os países buscam ampliar suas fontes de energia, mais deste recurso será convertido para a geração de hidro-eletrecidade. A poluição dos lagos, rios e reservas subterrâneas reduz as fontes de água limpa e as mudanças climáticas acrescentam uma nova variável a esta já instável equação.

“A agricultura é responsável por cerca de 90% do consumo de água doce, o que a torna, de longe, a maior usuária deste recurso. Em geral, são necessários de 2.000 a 5.000 litros de água para produzir alimento suficiente para o consumo diario de uma pessoa”, diz Alexander Müller, diretor-geral-assistente do Departamento de Meio Ambiente e Manejo de Recursos Naturais da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

Müller lembra que, com a previsão de aumento da população mundial dos atuais 6,5 bilhões atuais para mais de 9 bilhões de habitantes em 2050, agricultura terá um desafio ainda maior: produzir mais alimento com o uso eficinete das limitadas fontes de água. “Abastecer o mundo de maneira sustentável, respondendo, ao mesmo tempo, ao avanço das ameaças provocadas pelas mudanças climáticas, requer novos conceitos e forte vontade política para solucionar os crescentes problemas mundiais relacionados à água.”

Considerando que a agricultura consome esse volume tão grande de água doce, melhorar a produtividade neste setor corresponde a tornar um volume significativo de água disponível para outros usos. Se os resultados na agricultura puderem ser mantidos com 1% de redução no consumo de água, isto significaria 10% de aumento na disponibilidade deste recurso para outros setores.

“Precisamos rever radicalmente nossas idéias sobre a relação entre água, alimentos e meio ambiente, se quisermos tratar da escassez de água e atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, diz Pasquale Steduto, Chefe da Unidade de Desenvolvimento e Manejo da Água da FAO e Presidente da UN-Water, agência interna que promove a coordenação entre as ações das Nações Unidas relativas à água.

Durante a recente crise de preços dos alimentos, muitos países sofreram com severas secas que afetaram a produção de bens alimentares. Cenários das mudanças climáticas sugerem que esse fenômeno se tornará mais frequente em áreas que já vêm sendo afetadas pela escassez de água. Grandes bacias hidrográficas, incluindo importantes áreas produtoras de alimentos na região do Rio Colorado nos Estados Unidos, do Rio Indo no Sul da Ásia, do Rio Amarelo na China, do Rio Jordão no Oriente Médio, do Delta do Nilo na África e do Rio Murray na Austrália, estão “fechadas”, impossibilitadas de terem suas águas utilizadas.

“A FAO tem grande satisfação em cooperar com o Conselho Mundial da Água neste processo”, afirma Steduto. “Ao integrar completamente a agricultura ao debate global de políticas relacionadas à água, podemos encaminhar uma grande quantidade de questões ligadas ao desenvolvimento, incluindo segurança alimentar, redução da pobreza, sustentabilidade ambiental, energia limpa e saneamento rural e urbano,” completa Steduto.

O Fórum Mundial da Água, em Istambul, também reunirá e encaminhará contribuições para outras instâncias internacionais de negociação, como o G-8, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNCSD) e o Painel da Convenção das Mudanças Climáticas da ONU (UNFCCC).

* Com informações da World Water Council


(Envolverde/CarbonoBrasil)

 

  As imagens foram cedidas por Miguel von Behr