Painel sobre os desafios da adaptação climática em municípios costeiros
9º Congresso Brasileiro de Oceanografia
A Agência Brasileira de Gerenciamento Costeiro participou do 9º Congresso Brasileiro de Oceanografia, realizado em Vitória/ES, entre os dias 24 e 28 de agosto de 2026, promovendo uma mesa-redonda dedicada a um dos temas mais urgentes da atualidade: os desafios da adaptação climática nos municípios costeiros.
O Painel, sob a moderação da Linda Suzana Gonçalves Brant – Ponto Focal/ES da Agência Costeira, marcou um momento especialmente significativo, ao reunir diferentes perspectivas sobre as mudanças climáticas e os caminhos para a adaptação das cidades litorâneas. Ciência, políticas públicas, gestão municipal e percepção da população para o risco climático estiveram representadas em um diálogo que buscou aproximar os três níveis de governo e, sobretudo, mostrar a realidade vivida nos territórios.
Representando o Governo Federal, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio de João Luiz Nicolodi, apresentou o Plano Clima para o Oceano e a Zona Costeira, destacando as estratégias e diretrizes nacionais para o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas nos ambientes costeiros e, na perspectiva da ciência e da gestão de riscos, Pedro Ivo Mioni Camarinha, do CEMADEN/MCTI, abordou os avanços na análise de riscos e na compreensão dos eventos extremos, ressaltando a importância do conhecimento científico para antecipar cenários, reduzir vulnerabilidades e subsidiar decisões públicas mais eficientes.
Juliana Reis, representando a Secretaria de Estado para Assuntos do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEAMA) do Espírito Santo, apresentou o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas, o qual coordena, trazendo para o debate a perspectiva estadual e as iniciativas voltadas à preparação e à adaptação dos municípios no enfrentamento aos extremos climáticos.
A dimensão municipal foi apresentada pelo Secretário Municipal de Meio Ambiente de Aracruz/ES, Aladim Fernando Cerqueira, que trouxe para o painel a realidade concreta da gestão local, evidenciando os desafios enfrentados pelos municípios para transformar diretrizes e conhecimentos técnicos em ações efetivas de prevenção, planejamento e adaptação.
Completando o painel, a Diretora Técnico-Científica da Agência Costeira, Iris Regina Fernandes Poffo, apresentou uma perspectiva socioambiental sobre a percepção de risco e o comportamento das comunidades diante de situações de emergência em áreas costeiras. Sua participação trouxe ao centro do debate um elemento fundamental: não existe adaptação climática efetiva sem considerar as pessoas que vivem, trabalham e constroem suas vidas nos territórios vulneráveis.
O resultado foi um debate amplo e necessário, conectando ciência, políticas públicas, gestão territorial e sociedade em torno de uma questão que já não pode ser tratada como um problema do futuro: como nossas cidades costeiras irão enfrentar a emergência climática que já está acontecendo?
Mais do que discutir cenários futuros, o painel reforçou a necessidade de agir no presente, fortalecendo a capacidade dos municípios de compreender seus riscos, preparar suas comunidades e implementar estratégias de adaptação que sejam ambientalmente responsáveis, socialmente justas e territorialmente adequadas.
Foi, portanto, um debate histórico: diferentes olhares e diferentes níveis de governo reunidos para reconhecer que a adaptação climática exige cooperação, conhecimento e, sobretudo, ação.
Adaptação não é futuro. É agora.
















